
Celebrada tradicionalmente em 5 de novembro, a Festa das Sagradas Relíquias recorda os testemunhos dos santos e o valor de seus corpos como templos do Espírito Santo

O Santuário Basílica Sagrada Família, em Goiânia, guarda um dos mais expressivos acervos religiosos de sua história: um relicário com mais de 800 relíquias relacionadas a santos, mártires e importantes acontecimentos da fé cristã.
O acervo ganha destaque neste dia 5 de novembro, quando a tradição católica recorda a Festa das Sagradas Relíquias. A celebração acontece poucos dias depois da Solenidade de Todos os Santos, em 1º de novembro, e da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, celebrada no dia 2.
A data convida os fiéis a recordar que os corpos dos santos foram templos do Espírito Santo e instrumentos de uma vida dedicada a Deus. A veneração das relíquias também expressa a fé cristã na ressurreição da carne e na vida eterna.
Segundo o reitor do Santuário, Pe. Rodrigo de Castro Ferreira, entre as mais de 800 relíquias conservadas no local estão peças ligadas à Sagrada Família, à Paixão de Cristo e à vida de diferentes santos.
“Nosso Santuário Basílica Sagrada Família tem mais de 800 relíquias. É uma grande graça para nós. De maneira muito singular, algumas nos chamam a atenção, como a relíquia recebida da Terra Santa, relacionada à Casa da Sagrada Família”, explica o sacerdote.
A relíquia foi recebida por ocasião doGemellaggio, união espiritual estabelecida entre o Santuário, em Goiânia, e a Basílica da Anunciação, na Terra Santa.
“O lugar onde a Sagrada Família viveu se faz presente aqui no Santuário Basílica Sagrada Família. Na relíquia temos, em latim, a frase: ‘Ele lhes era submisso’. Com essa relíquia da Casa da Sagrada Família, este lugar também se torna para nós, Galiléia e Nazaré. Aqui também é Terra Santa”, afirma Pe. Rodrigo.

O relicário também conserva relíquias relacionadas à Paixão de Cristo.
“Temos a relíquia da Santa Cruz, um fragmento da Vera Cruz, da verdadeira cruz onde Nosso Senhor Jesus deu a vida por nós. Temos também a relíquia de um espinho da Coroa de Cristo”, relata.
Entre os destaques apresentados pelo reitor estão também as relíquias de São Carlo Acutis, jovem conhecido por seu trabalho de evangelização na internet e por sua devoção à Eucaristia.
“Temos parte do cabelo de São Carlo Acutis e uma relíquia ligada ao milagre ocorrido em Campo Grande, na comunidade Nossa Senhora Aparecida, do nosso querido padre Marcelo Tenório. Temos esse presente do céu. Também conservamos uma pétala que esteve em seu caixão”, conta Pe. Rodrigo.
Para o reitor, cada uma dessas peças ajuda a aproximar os fiéis das histórias de pessoas que viveram a fé de maneira concreta.
“Temos muitas coisas bonitas na vida do nosso Santuário”, conclui.
As relíquias são restos mortais ou objetos relacionados a santos e beatos. Elas não são adoradas. A adoração pertence somente a Deus. Na Igreja, as relíquias são veneradas por recordarem pessoas que buscaram viver o Evangelho e deixaram um testemunho de fé.
Tradicionalmente, elas são classificadas em três categorias:
As relíquias expostas à veneração dos fiéis devem possuir documentação da autoridade eclesiástica que ateste sua procedência e autenticidade. Também precisam ser conservadas adequadamente, com respeito à sua sacralidade e proteção contra abusos ou comercialização.
A veneração das relíquias remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Naquele período, os fiéis se reuniam junto aos túmulos dos mártires para rezar e celebrar a Eucaristia, especialmente nas catacumbas de Roma.
Com o passar dos séculos, essa prática se espalhou pela Igreja. Relíquias de mártires passaram a ser colocadas nos altares, mantendo viva a ligação entre a celebração da Eucaristia e o testemunho daqueles que entregaram a própria vida pela fé.
A Igreja reafirmou essa tradição no Concílio de Trento, orientando que as relíquias fossem tratadas com respeito e apresentadas aos fiéis de maneira responsável, evitando superstições, abusos e qualquer forma de comércio.
No Santuário Basílica Sagrada Família, o relicário preserva essa história e permite que os fiéis conheçam testemunhos de diferentes épocas e lugares. Mais do que objetos antigos, as relíquias apontam para vidas marcadas pela fé e para o chamado à santidade, que permanece atual para todos os cristãos.
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